Pai, estou aqui. Olha pra mim. Desesperado, por mais de Ti! A noite era cinza. O vento se tornava cada vez mais intenso. Não havia sequer uma pessoa além de mim caminhando pela avenida. As luzes piscavam. Uma grande tempestade se aproximava. As pontas de meus dedos doíam, o que era bem normal nas noites de inverno. A cada passo que eu dava, vinha em minha mente uma lembrança. Eu fechava meus olhos bem forte e pressionava meus braços cruzados contra o peito. Agora estou no meio da lagoa pescando com Bruno. Não há uma nuvem no céu. O calor nos obrigava a tirar a camisa. O cheiro do camarão poderia ser sentido por quilômetros de distância. Nós estávamos gargalhando e não pescamos sequer uma bota. Abro meus olhos. Bruno não existe mais. Agora só me restam as lembranças. Então fecho meus olhos outra vez. De repente estou deitado no colo de minha mãe. Suas mãos percorriam meu cabelo e minhas costas. O carinho com que ela me tratava sempre fez muita falta. Eu dizia que a amava nesse momen...