Encontro desagradável.

I miss you...
Eu realmente não estava com um bom pressentimento. Fazia calor, mas eu sentia frio. Talvez fosse só o medo de revê-lo depois de tanto tempo. Eu mentia para mim mesma e para todas as outras pessoas dizendo que nossa história havia ficado no passado. Mas no fundo ainda doía em mim. Doía porque eu o amava com a mesma intensidade desde nosso último beijo. Por algum tempo até tive esperanças de que ele não iria na festa, mas infelizmente depois de um tempo eu o avistei. Estava com minhas amigas e ele passou na minha frente com ela. Nem sequer me notou. Senti um amargo em meu paladar. Senti por um segundo meu mundo desabar. Por mais que ele tivesse passado bem rápido por mim, parece que o tempo havia parado diante dos meus olhos. Talvez fosse só o destino querendo me torturar um pouco mais. Havia um sorriso estampado em seu rosto. Ele parecia bem feliz... Bem mais do que parecia quando estava comigo. Seus braços que antes envolviam minha cintura quando caminhávamos agora estavam protegendo ela. Meus olhos ardiam. Não foi fácil prender o choro. Não sei porque, mas lembrei da primeira vez que ele disse que me amava. Foi bom lembrar disso por alguns milésimos de segundo. Mesmo lembrando que ele não me disse isso olhando em meus olhos. Eu sentia inveja dela. Queria ter vivido tudo o que ela estava vivendo com ele. Baixei meus olhos e então ele seguiu em frente. Tentei pensar em muitas outras coisas. Mas sempre me pegava olhando para ele que estava  numa mesa um pouco distante. Todos iam falar com ele. Eu sabia que talvez eu fosse a única que não ouviria apenas um boa noite. Foi então nesse momento que resolvi beber. O primeiro copo daquela mistura estranha foi de um gosto horrível! Minha garganta queimava. Era quase insuportável, mas foi pouco. Eu queria beber muito mais! Depois do quarto copo, ja parecia refrigerante. Eu não perdi meus sentidos, mas perdi meu juízo. Eu estava feliz! Ou pelo menos achei que estava. Sempre que eu o olhava, ele estava me observando. Talvez estivesse rindo da minha cara. Ja era bem tarde quando subi até o banheiro. Minha cabeça doía. Tudo estava girando. Não tive muito tempo e acabei vomitando na pia mesmo. Nesse momento comecei a chorar. Sentei na privada e chorei tudo o que não havia chorado na minha vida toda. Eu estava bem semelhante a um monstro. Maquiagem borrada, olhos vermelho, fedor de vômito... Eu estava me sentindo o lixo dos lixos. Nesse momento alguém bateu na porta.

-Tem gente! - Respondi.
-Eu sei! Sei que é você. Deixe-me entrar por favor?

Era a voz dele. Fiquei bastante surpresa. Mas eu não abriria a porta. Eu parecia um monstro. Nesse momento minhas lágrimas desciam como dois rios. Eu quis ser bem agressiva. Não deixaria ele me ver nesse estado.

-Vá embora! Eu não quero falar contigo!
-Eu não vou sair daqui. É melhor você abrir!
-O que você quer? Tripudiar sobre mim? Rir do estado em que eu estou?
-Realmente você não me conhece!
-Cara, vá embora!
-Não! Ja disse que não vou sair daqui até você...
-Eu estou mau! - Disse eu o interrompendo. - Por favor, o melhor que você tem a fazer é ir embora daqui e me deixar em paz!
-Tudo bem. Você não vai ficar trancada ai pra sempre. Vou sentar aqui e esperar você abrir a porta.
-O que você quer?
-Te ajudar.
-Não tem como me ajudar. Não mais...
-Porque você fez isso tudo? Pra que?

Minha boca estava trêmula. Eu queria contar a verdade, mas não sei se podia. Ele suspirava esperando minha resposta. Eu pensei em muitas coisas pra dizer, mas nada saía de minha boca.

-Cara, acho que o melhor que você tem a fazer é ir embora. É sério mesmo! Você tem uma namorada linda e que parece te amar muito. Você é feliz, tem amigos... Não desperdice seu tempo aqui comigo. É sério.
-Lembra daquele dia em que eu queria ir jogar boliche e você queria ir assistir pela terceira vez no cinema o filme Lua Nova e deu aquela briga toda?
-Lembro sim! - Eu sorri.
-No fim eu acabei indo no cinema contigo.
-Mas deu um arroto que ficou pra história no meio do filme!
-Eu sei! - Disse ele sorrindo. - Depois de 2 semanas você me fez assistir isso outra vez no DVD!
-Pois é! - Eu ja estava sorrindo. - Lembro que naquele mesmo dia do arroto, nos levamos bronca do guarda do shopping porque ficamos nos beijando na porta principal.
-Achei que ele ia nos indiciar por atentado ao pudor!
-Pois é! - Estávamos sorrindo bastante.
-Olha, eu peço desculpas por tudo o que eu fiz. Nunca foi minha intenção magoar você. - Ele respirou fundo nesse momento. - Você foi uma pessoa importante em minha vida. Sinto muito por nossa história não ter dado certo. Eu realmente sei que disse coisas horríveis a você, mas não foi minha intenção te machucar tanto assim. Foram palavras em momentos de raiva. Seu que o que eu fiz foi muito errado, mas... Mas eu nunca quis seu mau.

De certa forma aquelas palavras me confortavam. Pensei em muitas coisas naquele momento. Ele realmente parecia estar sendo a pessoa mais honesta do mundo. Houve um longo silêncio. Então sequei meus olhos. Levantei. Não quis olhar no espelho, pois sabia que estava exatamente como um monstro. Fiquei diante da porta por algum tempo com minha mão na maçaneta. Então resolvi abrir. Ele estava ali sentado atrás da porta. Logo que abri, ele se levantou e ficou me observando. Parecia ter pena de mim. Então eu o abracei bem forte e voltei a chorar. Não sei porque, mas talvez aquele abraço fosse tudo o que eu mais queria ter em minha vida inteira. 

-Desculpe por ter desejado mau a você tantas vezes! - Eu disse enquanto o abraçava. - Talvez só nunca tenha conseguido superar. Eu quis tanto ter você outra vez que fiquei cega!
-Mas...
-Eu sei! - Disse eu o interrompendo. - Eu sei que foi eu quem terminou! Mas mesmo assim, eu fui uma idiota! Você também foi um idiota por tudo o que fez, mas eu deixei você ir... Agora tenho que seguir em frente... Sem você! Eu sei que estou bêbada e perdi completamente meu juízo. Não tenho controle do que falo, mas cara, eu amo muito você! Eu nunca te esqueci! E talvez nunca esqueça... Você ainda me ama?
-Bom...
-Diga! - Me ama ainda?
-Sim! Mas apenas como amiga.
-Assim não serve...
-Olha, é inegável que você foi importante pra mim. Mas isso ja faz bastante tempo... Eu vou me casar com ela. Eu a amo mesmo e ela me ama. Só que não quero perder a sua amizade. Não quero ver você desse jeito. Por favor, me entenda...

Ele suplicava que eu entendesse. Seu olhar era triste. Aquelas palavras foram como uma lança perfurando meu coração. Nunca senti uma dor tão forte. Não pude conter as lágrimas, mas sabia que havia o perdido pra sempre. Ele vai se casar e não me resta mais nada a não ser aceitar. Talvez ele estivesse sendo um covarde naquele momento e quisesse mesmo me ferir da pior forma, mas talvez ele tivesse razão. Era mesmo o melhor a ser feito. Precisava mesmo de um ponto final nisso tudo. Por mais que doesse naquele momento, não doeria tanto no futuro. Não existiriam mais falsas esperanças. Eu apenas assenti que sim naquele momento. O abracei bem forte e ele meio sem jeito também me abraçou. Em seguida segurou meu rosto com suas duas mãos e me olhou nos olhos.

-Fica bem ta?
-Eu vou ficar... - Eu baixava o olhar. 
-Jura?
-Juro que vou tentar... - Levantei meus olhos nesse momento.
-Tenho que ir. Ela esta me esperando.
-Tudo bem... Desejo felicidades a vocês.
-E eu desejo o mesmo a você! Tenho certeza que será muito feliz! - Ele sorriu e eu também. - Fica com Deus! Tchau... - Ele beijou minha testa e se foi.
-Tchau... - Eu disse bem baixinho depois que ele se foi.

Chamei o Taxi assim que ele saiu. Não demorou muito até o carro chegar. Cheguei em casa e fui tomar um banho. Nem tirei minha roupa. Deixei que as muitas lágrimas caísses debaixo do chuveiro. Sentei-me no chão enquanto a água caia em minha cabeça. Tentei não lembrar de tudo, mas foi quase impossível. Então saí do banho, me sequei, coloquei meu baby doll e fui pra minha cama. Lembrei um pouco de tudo o que passei com ele enquanto namorávamos, mas não demorou muito para eu pegar no sono. "-Amanhã é um novo dia!" Foi o que pensei...

Comentários

  1. Oi, quero te convidar para conferir a entrevista com a Juliane Bastos: http://iasmincruz.blogspot.com/2011/10/entrevista-com-juliane-bastos.html

    Ótimo fds!

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