Um velho sonho.



Um sonho ...
A brisa tocava meu rosto suavemente enquanto eu estava sentado debaixo daquela árvore em frente ao mar. Era um dia comum e eu estava de férias em meu trabalho. Alguns minutos antes eu atravessava a ponte em meu carro. Algumas pessoas que estavam pela praça me observaram, mas isso não interferiu em suas vidas cotidianas. Senti que meu óculos escuro era como uma máscara e ninguém me reconheceria. Estava certo de que já havia mudado bastante desde a última vez que estive ali. Não só eu, mas todas as pessoas também estavam diferentes. Ou eu realmente não as conhecia.
Resolvi fumar um cigarro enquanto apreciava o horizonte, porém minha falta de costume me atrapalhava bastante. Fumar parecia bacana, mas eu não gostava disso e nem conseguia fazê-lo. Meu pulmão rejeitava aquela fumaça como se ela fosse água de fosso. Tentei relaxar e apenas viver o momento.
Havia se passado algum tempo e eu permanecia imóvel, apenas esperando o sol se por. Então me surpreendi com uma garotinha que se aproximou de mim. Longos cabelos louro-escuros lisos, presos por um extenso rabo-de-cavalo. Grandes olhos castanho-escuros, bochechas rosadas e a pele branca como a neve. Usava um vestido branco com milhares de pequenas flores estampadas. Aparentava ter uns cinco ou seis anos. Eu observei atentamente aquele anjo e quando se aproximou, me encantei com sua simpatia quando a voz rouca começou a falar.

- Oi moço!
- Oi mocinha! – sorri. – O que faz sozinha por aqui?
- Não estou sozinha não, moço. – coçou os olhos. – Minha tia está ali. – disse ela apontando para a entrada da praia, mas não havia ninguém.

Preocupado, logo me levantei.

- Vamos procurar sua mamãe, tá?
- Não moço. Minha tia pediu para que eu viesse aqui falar com você.
- Como assim? Quem é sua tia?
- É tia Cláudia! – disse ela com uma expressão um pouco irritada.
- E por que ela pediu para que você viesse aqui?
- Ela disse que era um moço muito bom e que precisava sorrir mais.
- Sério? – logo pensei que fosse uma vadia usando uma criança para chamar minha atenção. – E por que ela disse isso?
- Porque ela disse que tinham roubado uma coisa muito importante de você. E que era pra você me conhecer!

Então vi a Cláudia se aproximar em minha direção. Mal pude acreditar que depois de tanto tempo estava diante da minha grande amiga. Era como uma mãe conselheira com quem cresci muito em um passado recente. Sentia muito sua falta.

- Claudia!
- Júnior! – sorriu e pôs as mãos no bolso da bermuda.
- Quanto tempo!
- Pois é! Bastante, não é!
- Quem é a menina?
- Sua filha. Achei que já era a hora de você saber. Nunca achei certo ela esconder Sophia de você. – suspirou. - Nunca concordei com essa história absurda de ela roubar sua felicidade assim. Sophia é um anjo! E se parece muito contigo! Você ainda tem chances de ser um grande pai!

Senti minhas pernas bambearem e sentei-me no chão. Eu tinha uma filha! Eu não sabia o que fazer ou dizer. Eu não sabia como agir. Apenas olhei Sophia coçando os olhos enquanto Cláudia nos observava.

- Como posso ter certeza de que isso é verdade? – perguntei.
- Você sabe que é. Sophia tem seis anos. – suspirou. – E a pouco mais de seis anos ela mentiu para você, por medo de você tirar Sophia dela.
- Eu jamais faria isso.
-Mas é o que ela achou que você faria. E depois vieram as brigas e você decidiu não saber mais nenhuma notícia dela. Ai você sabe da história. – deu de ombros.

Olhei para Sophia e senti meu coração incrivelmente acelerado.

- Sophia, esse homem é seu papai. – disse Cláudia e em seguida sorriu. – Da um abraço nele, menina!

... que mudaria tudo.
Quando eu a abracei, senti meu mundo inteiro em meus braços. Senti a maior felicidade que já havia sentido na vida. Senti lágrimas caírem de meus olhos. Então Sophia disse: “ – Eu te amo, papai!” E eu a respondi: “ – Também te amo minha filha!” – em seguida fechei meus olhos bem forte e acordei. O velho ventilador de teto estava girando, a luz do quarto estava apagada e eu estava suado debaixo do edredom. Passei a mão instintivamente pelo meu rosto e percebi que estava chorando. Sentei-me na cama e fechei meus olhos para apenas lembrar daquela doce voz que me dizia a frase mais linda que alguém poderia ouvir na vida: “ – Eu te amo, papai!”


Por Pierre Martins

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