Pular para o conteúdo principal

Aquele momento.


Eu inocentemente segurei suas mãos quentinhas enquanto olhava em seus olhos e me perdia naquela imensidão azul. No instante em que o assunto cessou e nossos lábios secaram, os semblantes de nossos rostos mudaram. Nós sabíamos o que viria depois daquele momento. Sabíamos onde aquilo iria parar. Então foi nesta hora em que desviei meu olhar para o horizonte e soltei suas mãos. Então o frio se abateu entre nós. Aquela tarde de inverno acabara de tornar-se mais fria do que de costume. Enfiei minhas mãos dentro do bolso lateral de meu casaco de moletom enquanto ela cruzou os seus e logo em seguida baixou a cabeça e depois olhou para uma direção oposta a minha. Então eu resolvi quebrar o silêncio.
- Me desculpe. – eu disse.
- Pelo que? – Questionou com um sorriso de canto.
- Pelas coisas que vou dizer agora. – pigarreei.
- Como assim? – sorriu com ar de curiosidade enquanto tornava a me olhar nos olhos.
- Talvez eu não saiba ao certo como fazer isso. – suspirei e logo em seguida continuei falando enquanto esfregava as mãos uma na outra. – Nossa, a gente aqui, sabe... Não sei ao certo se deveria falar. – desviei o olhar com um sorrido tímido.
- Já que começou, deveria continuar. – acrescentou ela sorrindo e olhando fixamente em meus olhos após dar um passo mais perto de mim.

Nesse momento um filme se passou em minha mente. Lembrei de todos os momentos que passamos juntos. Lembrei do instante em que meus olhos notaram aquela beleza encantadora que faz você perder o fôlego. Pensei em um futuro ao seu lado. Meu coração acelerou e eu entendia o porque. Ela me fazia bem apenas em estar por perto. E eu queria mais do que isso. Queria poder beijá-la e amá-la como se deve. Foi nesse exato instante que segurei uma de suas mãos enquanto tocava seu rosto com meu polegar direito, percorrendo cada detalhe daquele, cada contorno que ele tinha. Meus olhos já diziam mais do que qualquer palavra pudesse dizer. Então ela fechou seus olhos e sorriu, expressando o quão bem aquela sensação estava lhe fazendo. E nesse momento eu quebrei o silêncio.

Eu, - breve sorriso.  – eu amo você. Amo desde aquele primeiro momento em que meus olhos encontraram você. No momento em que te conheci, jamais poderia imaginar que nos aproximaríamos e nos tornaríamos amigos. Jamais poderia imaginar que com o tempo você se tornaria o meu primeiro e o último pensamento do dia. Eu não sei se é o brilho dos seus olhos ou o calor do seu sorriso, mas sei que estou completamente apaixonado por você. Eu não quero ir dormir hoje sem saber se eu mereço teu beijo. Eu não agüento mais viver nessa incerteza. Eu precisava dizer que você é tudo o que eu sempre...

 – Shiiiiuuu – disse ela pondo o dedo em minha boca. – Não fala mais nada. – sorriu. – Apenas me beije, pois já faz tempo que estou esperando ouvir essas palavras. Já faz tempo que quero esse beijo. Eu amo você, seu bobo romântico! – sorrimos entre beijos nesse eterno momento de minha vida.


Martins, Pierre - Iguaba Grande / RJ - 30 de Setembro de 2017.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O primeiro beijo

É incrivel lembrar de cada momento daquela tarde de domingo. Meu mundo mudaria completamente naquele dia de sol. -Alô?! -Oi Mari! Tudo bem?! -Tudo sim! E com você? -To ótimo! – Dei um breve sorriso nesse momento e prossegui. – Cheguei. Estou aqui em Bacaxá. Em que praia vocês estão? Naquele momento eu pude sentir que as palavras dela haviam se perdido. Seu coração com certeza havia acelerado e ela não sabia como responder. Eu sei que naquele momento eu senti a mesma coisa que ela estava sentido. -Estamos aqui na praínha. -Onde ela fica? -Ao lado da Igreja. Espera, vou perguntar aqui ao meu tio. -Tudo bem. -Bom, ele esta dizendo aqui que é a praia ao lado da igreja. Aqui perto da praça de Saquarema. -Tudo bem! Já estou chegando ai. -Esta bem. Eu te espero. -Tudo bem! Até logo! -Até logo! Ao desligar, subi no primeiro ônibus que vi escrito “Saquarema”. Levei naquele dia minha irmã e meu cunhado comigo. Ambos mais novos que eu. Ao chegar, não me guiei por palavras ou dicas. Apen...

Nosso amor. A nossa aliança.

Eu te amo como nunca amei alguém. Eu a beijei de surpresa. O fiz com a maior intensidade que podia fazer. Então ela me chama de bobo entre sorrisos. Então logo ficamos de pé e eu segurei suas mãos. Ela estava quase arrumada. Blusa preta e calça jeans, mas ainda estava descalça. Seus olhos estavam fixos nos meus quando comecei a falar... -Será que você tem noção do quanto eu te amo? -Eu amo muito você minha vida! – Ela sorria ao dizer isso. -Você me faz muito feliz! Esse primeiro ano que passamos juntos foi incrível e eu espero viver muitos como esse ainda com você. -Teremos muitos melhores que esse! -Amor, cadê aquele anelzinho que te dei há um ano na praia lá em Saquarema quando nos beijamos pela primeira vez? -Está aqui amor. – Ela foi até uma caixinha em formato de coração, mas não achou. – Pera ai, acho que esta na outra. – Procurou em uma embalagem de Ferrero Roche , mas também não encontrou. – Eu a pus aqui em algum lugar. – Então voltou a procurar na caixinha em fo...

Deus, o Senhor esta ai?

Estás ai? Estou caminhando. A minha frente apenas uma avenida e muitas pessoas. Cada uma com sua história. Cada uma com seus medos. Todos tem um motivo para caminhar, para viver! Mas eu não. Não me resta mais nada para me orgulhar. Perdi tudo o que mais era valioso em minha vida. Agora estou diante do mar. O dia esta cinza e triste como eu. Não há ninguém por perto. Apenas o cheiro da maresia e o vento. Tamanhã imensidão e eu aqui tão pequeno. Eu sinto uma dor que não cabe no peito. Então olho para o céu. -Deus! - Estou gritando. - Cade o Senhor agora? Fale comigo! Me responda! Eu sempre fui teu servo. Sempre caminhei no caminho certo! Eu me orgulhava de ser cristão mesmo quando todos zombavam de mim. Eu preguei tua palavra! Eu louvei ao Senhor em todos os momentos. Dediquei toda a minha vida a Ti. Nunca o envergonhei. Sei que pequei, mas me arrependi de cada erro. Eu dei frutos. Dei bons frutos! Ganhei almas importantíssimas para a sua obra. Eu cresci na tua palavra! Por que não ...